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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O que me assusta não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons...






























O que me assusta não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons..

Estou assistindo de camarote toda essa repercussão, que a tal “assassina de cães” está criando, ou melhor, dando na internet. Acho incrível a capacidade de serem manipulados ou apenas de reação, obtida através de um simples vídeo. Como uma faísca que se depara com combustível, vai queimando até a hora que encontra a concentração daquilo e explode.
Veja bem, concordo inquestionavelmente que foi cruel e frio o que ela fez e não tiro a razão, ou falta dela, de muitos aqui presentes sobre o acontecido. Mas por que ao invés de pararmos apenas para atirar “pedras”, não paramos antes de qualquer coisa, para analisar e avaliar tudo em um contexto amplo e não apenas um contexto, ou visão, imposto por uma “faísca” inicial?!


Nada, aparente, justificaria a completa falta de compaixão de um para algum outro ser vivo, fosse qual fosse. Mas espera aí, não é isso, exatamente isso, que tanto estamos pedindo? Justiça contra a falta de compaixão dela com o cachorro. Então, por que diabos vocês estão incitando tamanha violência contra outro ser vivo? Apesar de tudo e antes de mais nada, ela é um ser humano, um ser vivo digno de compaixão e julgamento, certo? Pois bem, faremos um exemplo quase ilustrado, para demonstrar o que penso sobre isso tudo, e sobre o que eu gostaria que todos avaliassem antes de qualquer atitude ou “verdade absoluta”. 


Exemplo 1: Imagine que eu, Jessica Cooper, esteja diante de uma cena covarde e que eu julgo ser digna de provas, como se fosse um detetive colhendo provas. Se são provas, significa que aquilo é algo pesado como errado ou culposo, algo que possa trazer vergonha para alguém ou apenas absolvição. Voltando ao foco... Se eu estou presenciando algo que julgo digno de um vídeo, foto ou testemunho, por ser algo covarde e cruel. Isso significa que o meu dever como pessoa digna, cidadã ou mesmo por ser alguém que gosta de justiça. Eu como tudo isso teria a atitude inicial, não de gravar um vídeo como se minha vida dependesse daquilo, mas sim de interferir em defesa daquele animal que tem a vida dependendo disso. De uma atitude dessas, por sinal, atitude da qual o câmera não esboçou ter em nenhum momento, muito pelo contrario se acovardou ao sentir que poderia ser visto, evitando assim o contato visual com a acusada.


Exemplo 2: Bom, se eu não estava no local para poder intervir pelo cachorrinho. Mas acredito e estou certo de que aquilo não foi correto. De que aquilo foi bárbaro, imperdoável e sem compaixão. Se eu como pessoa, acredito que o cachorro merecia compaixão, merecia a chance de viver e acima de tudo merecia que seu agressor fosse julgado e punido. Minha atitude tão adorável e amável em relação ao cachorro deveria ser repetida com a mulher. Afinal ela é um ser humano, um ser vivo que merece compaixão, e todo blá blá blá, já dito antes em defesa do cachorro.  Então eu jamais posso dizer que ela merece morrer apanhando como “cachorro”, jamais poderia levantar minha mão para agredi-la da forma ou força que fosse. Pois eu estaria me comparando a ela, sendo exatamente como tudo aquilo que abominei o tempo todo. E o ser humano, por sinal, tem disso. Ele critica, critica e reclama sobre mil coisas, mas não passa muito tempo ele está sendo e fazendo as mil coisas das quais ele tanto reclamava e criticava.
Bom, eu poderia citar mais alguns exemplos e visões que tenho sobre o caso, mas acho que essas duas versões, demonstraram o foco do meu questionamento sobre o que seria condenável ou justo de se fazer, após pensar sobre este vídeo.


Sem falar das nossas leis que contem termos e capítulos inteiros sobre a autorização ao sacrifício de animais em cultos religiosos, e não é porque a enfermeira Camila Correa não acendeu uma vela e pediu licença a alguns santos antes de matar o animal, que ela é a única errada nessa história, ou o único acontecimento com méritos ao caos e união da massa. Isso vem de muitos anos, vem do seu voto, vem do que está acontecendo em Belo Monte com índios, populações ribeirinhas e incontáveis espécies de animais e plantas. Agora eu lhes pergunto, o que este caso tem de mais especial do que o que já vem acontecendo no país inteiro a vários e vários anos? O que esse projeto de cachorro tem que os índios, os ribeirinhas, as plantas e outros tantos animais não tem? Por que se movimentar apenas contra uma mulher que matou seu cachorro em um surto de raiva ou psicose e não se mover contra o sistema brasileiro, contra esse sistema que está destruindo nosso patrimônio, o pulmão do mundo? Enfim, brasileiro nasceu pronto para fazer o que lhe mandam fazer, para ser a conseqüência da reação de um ou poucos gestores do caos. Temos que começar a pensar, a termos nossas próprias conclusões e visões sobre um assunto, não apenas uma visão como varias por sinal. Nossa mente é como uma máquina indecifrável e complexa, devemos utilizá-la ao máximo e a forma que temos para fazer isso é pensando, é refletindo e concluindo nossas próprias idéias e não apenas aceitando idéias que são impostas e empurradas pra cima da gente e “goela abaixo”.


Pois bem, para encerrar e concluir minha revolta, maior, contra os revoltados. Cito palavras do grande e sábio guerreiro e líder, Martin Luther King. Onde ele diz: "O que me assusta não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons". Pois com esta frase eu entendo que não existe bom, sem o mau. Não existe luz sem as trevas. Tão pouco existe justiça, sem crime. E tantos outros opostos tão sinônimos quanto cão e cachorro. Mas o problema não é existir opostos, mas sim deixarmos que o pior lado predomine na sociedade, em nossos lares e família, em nossa vida. Devemos nos educar a não temer a justiça, mas caminhar ao lado dela, de mãos dadas. Pois a justiça é mãe protetora de todos os que com ela caminham. Não podemos ter medo do que é certo, mas devemos sentir repulsa por deixarmos que o mau tenha vitorias pelo caminho. Devemos ser justos, mesmo quando isso doer em nossos corações ou orgulho, ego. Mesmo que o ser justo seja comparado com arrogância, mesmo que para sermos justos precisemos dar o rosto a tapas e o peito a tiros. Não podemos deixar que o mau grite,  enquanto nós apenas nos silenciamos assistindo, e ouvindo, tudo isso. Mas também não devemos nos levantar contra o suposto mau, se a "nossa opnião" na verdade nem nossa for.. ca piche? Defendam apenas as coisas em um geral, o garoto que filmou e não fez nada pra ajudar, a enfermeira também por ter cometido o erro de matar o bicho, as pessoas que tanto criticaram tudo isso e nunca fizeram nada por bicho nenhum na rua... Só devemos falar sobre o que temos moral pra falar.

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