Facebook - O momento Placebo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um simples Toque



Fim de tarde, o sol estava prestes a se pôr, eu distraído e sentado sobre o capô do carro, peguei-me pensando alto e confessando o quanto eu precisava falar a verdade. Não percebi sua aproximação quando...

-É eu acho que preciso falar com você... Falei, distante e vagamente olhando para o nada.
-Não pensei que tivesse me visto chegar, queria te fazer uma surpresa. – Ela disse com um olhar curioso, como quem tenta decifrar o que meus olhos queriam dizer de verdade. E então, finalmente ela disse: – O que tem a dizer, eu posso saber?
Ainda em meio ao choque de sua chegada, respondi explicitamente incomodado:
-Não é nada, eu estava apenas pensando alto e você chegou, realmente de surpresa, e acabou ouvindo.

Um silêncio dominou todo o local, mas não aquele tipo de silêncio constrangedor, mas sim um silêncio que parecia conversar com a gente. Começamos a caminhar por aquele imenso gramado, era outono e todo aquele verde estava colorido com um tom avelã desbotado e triste, silencioso e totalmente indecifrável.

-Bom, eu não vou a lugar nenhum até que me diga o que precisa conversar comigo. Eu tenho bastante tempo e não imaginaria melhor momento para conversarmos, pode começar. Fala!- Ela respondeu sem deixar espaços para qualquer tentativa de fuga ou desculpa sobre tempo ou momento ideal.
-Era bobagem. Sabe, às vezes eu falo de mais e isso nem sempre é bom.. E eu sei que posso conversar com você, mas se conversar com você sobre determinadas coisas, vou falar de mais e isso pode não ser nada bom. -Disse pausadamente, como se estivesse selecionando as melhores palavras naquele momento.
-Olha se não quiser mesmo tudo bem, mas eu realmente gostaria de escutar o que tem a dizer. Porque mesmo que eu diga que vou deixar pra lá, a curiosidade é mais forte e eu vou querer saber mais cedo ou mais tarde. - Ela disse com um ar sincero de quem realmente não se importaria de responder algumas perguntar, ou prestar atenção no que eu precisasse falar.
-Olha tudo bem, mas depois não diga que eu não avisei. São coisas que queria apenas falar e perguntar. Não pelas respostas em si, mas por medo de você mudar comigo. - Fiz uma pequena pausa para tomar folego -  Então se quer mesmo que eu fale, preciso de uma garantia de que respondera sinceramente a todas as perguntas, além de depois dizer-me o seu lado ou o que pensa sobre o que tenho pra falar. -Eu disse tudo de uma forma tão direta e rápida, que era como se eu tivesse ficado sem respirar até terminar de falar todas as condições para tal coisa.
-Tudo bem, eu prometo tentar!  –Ela disse, de forma pratica sem deixar espaços para questões como "mas e se" ou qualquer coisa que pudesse me dar uma chance de desviar do assunto. Em seguida, antes que eu pudesse dar continuidade a todo aquele bla bla bla mental, ela completou dizendo – Foca no assunto.

De inicio eu juro que nem eu sabia ao certo o que estava falando ou sobre o que, se estava falando sobre como eu me sentia, como eu enxergava certas coisas ou se era sobre o que eu esperava de nós dois. Mas após algum tempo falando sobre o assunto ‘nós’, eu percebi que talvez ela tivesse os mesmos medos que eu, que pensasse a mesma coisa que eu e que estávamos ligados de mais para simplesmente desaparecermos da vida um do outro.

- Eu tenho um certo medo de me apegar e/ou você se apegar demais a mim. Como você disse, eu posso terminar ou não, ficar com você ou não. E eu sei que se algo acontecer vou ficar um pouco triste, falar algo que talvez não seja bom pra você ouvir... Então acho que não tem muito que fazer, sabe... É só que eu tenho medo de te magoar , dar esperanças e não acontecer nada e como eu já falei, desisto de fazer planinhos. Tenho medo de ficar triste, me machucar duas vezes e te deixar pior, eu sei que brinco com lances de namoro e casamento. Não sei o que passa pela cabeça nessa hora, mas é bom brincar e ao mesmo tempo ruim...
E enquanto ela dizia, parecia estar buscando do fundo de seu coração, em meio a pausas, o que realmente sentia medo, com o que realmente ficava insegura e o porquê de, por muitas vezes, agir de uma forma diferente comigo.
-Também tenho um pouco de medo da gente se magoar com isso, pela questão de se apegar de mais ou criar expectativas alem da conta. Mas não queria que sentisse medo, porque se depender de mim eu não poderia jamais machucar você, não me imaginaria de nenhuma forma fazendo isso com você. – Disse tentando parecer mais confiante do que eu realmente me sentia, por um minuto tive medo de estar afastando ela para longe da minha vida, medo de que estivesse assustando-a com tudo aquilo. - E eu acho que já estou gostando muito e de você, acho que já me apeguei. Eu não sabia o que era sentir saudades a muito tempo, e eu sinto saudade de cada detalhe em você. Da forma que me olha, do seu cheiro, da maneira com que me abraça e eu acho que já estou em um nível, que não importa o que façamos você ainda continuaria sendo algo bom pra mim. Então não me machucaria com você, porque eu não permitira que algo 'ruim' apagasse o quanto bem você me fez e faz bem.

Ao terminar de falar, notei que ela parecia estar distante, como quem busca e observa memorias de um tempo passado, esperei em silencio enquanto observava cada contorno de seu rosto, como se estivesse memorizando e fotografando cada detalhe naquele momento. Tive medo de que fosse um sinal de algo ruim,
 que fosse o fim ou que aquilo fosse um sinal de adeus.
 - Eu já machuquei muito sem querer e se eu terminasse eu não.. Bem, eu não queria ter nada sério por enquanto, e o meu medo é gostar tanto de você que não pudesse controlar isso e acabasse quebrando as promessas que fiz a mim mesma...
Ela disse com certo cuidado, como se estivesse moldando a forma de cuspir cada palavras.
-Não te obrigo a nada, se terminássemos hoje eu manteria apenas as coisas boas. Mas eu gostaria que você depositasse um pouco de confiança em mim, um pouco de fé. Que você se permitisse um pouco mais e de repente tentasse não ficar com tanto medo, quanto parece ficar, quando esta perto de mim, que não tivesse medo do que pudesse acontecer ou não entre nós. E quando a algo mais serio, eu mesmo não estou pronto pra nada disso agora, e também sei que não esta. Se isso tivesse que acontecer, seria apenas quando eu tivesse certeza do que quero e sentisse que você também tem certeza do que quer ter ou não comigo.
Falei de uma forma pratica, sem muitas voltas, não queria tornar isso pior do que já caminhava a ser.
-Entendo. - ela disse de uma forma fria. - E foi bom você ter falado, eu estava com essas coisas na cabeça e acho que agora estou mais aliviada. Fico feliz de saber que não fugiria ou me abandonaria de jeito nenhum, apesar das minhas duvidas ou incertezas. E me desculpa por não ter falado sobre isso antes, é que eu geralmente espero a outra pessoa falar ou só falo quando chego no meu limite. E eu prometo tentar melhorar as coisas e mudar algumas coisas no meu jeito.
Eu admito que não sabia se havia entendido exatamente o que aquelas palavras queriam realmente dizer, mas não queria pensar nisso naquele momento, eu queria apenas aproveitar e acreditar que coisas melhores estavam por vir.
-Se algum dia gostar muito de mim, da forma que sente medo que um dia goste.. Bem, eu ficaria feliz em saber, cuidaria pra que não sentisse tanto medo de nada comigo. E eu não mudaria nada em você, pra mim você é complexamente linda exatamente como você é!
Disse sem pensar duas vezes, aliviada pelas palavras fluírem de forma racional e clara.

E assim ficamos sentados assistindo o fim do dia chegar, dando boas vindas aquela noite tão especial e magica.
(...)

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